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Tag Archives: Desporto

Diana Gomes, Meeting de Paris - Fotografia de Rita TabordaMuitos conhecem-na, outros nem por isso. É Diana Duarte Gomes, tem 19 anos e é nadadora de alta-competição.

A Diana já está habituada a isto: há sempre um jornalista a querer fazer-lhe perguntas, um fotógrafo a querer tirar-lhe umas fotografias, um curioso a observá-la.

 

Foi quando tinha 14 anos que um mínimo inesperado aos 100 metros bruços a atirou para os Jogos Olímpicos e, consequentemente, para as luzes da ribalta. Carimbou o passaporte para Atenas e quatro anos depois para Pequim.

 

Diana já perdeu a conta às horas que passa dentro de água, assim como ao que tem conquistado com a natação. Sendo uma das maiores referências da natação portuguesa, a brucista confessa não ter ídolos, “O Beckham? Não, ainda por cima é futebolista.” Admira a australiana Leisel Jones, recordista mundial em praticamente todas as distâncias de bruços e adora Gaudí. Dividida entre duas paixões, a natação e a arquitectura, Diana gosta de Leisel pela “incrível forma com que ela desliza na água”. Quanto a Gaudí,  conta “faz perder-me vezes sem conta em Barcelona com as suas obras”.

               

Quando andava no secundário, conseguia conciliar a natação com o colégio. Agora estuda Arquitectura na Universidade Técnica de Lisboa e assume que “é um curso muito prático e é muito difícil gerir tantas horas de treino com tantas horas de curso”. Treinar em ano olímpico e frequentar o curso, como aconteceu antes dos Jogos Olímpicos deste ano, “exigia que me deitasse por volta da uma da manhã e que às seis e meia já estivesse na piscina para treinar. Já não estava a treinar bem e tinha pouco rendimento no curso.”

    

Delineou objectivos e deixou o curso em “stand-by”. Retomou-o este ano e confessa “ter mais tempo para apreciá-lo”.

 

Sempre uma aluna brilhante, tem de fazer imensas opções. “Abdico de ter amigos normais. Quase só tenho amigos da natação, porque eles percebem o que é gostar tanto assim de algo que não seja sair à noite. Muitos colegas de turma perguntam-me por que é que me fecho na piscina em vez de aproveitar a vida. Mas acredito que estou a aproveitar tanto ou mais do que quem me diz isso. Estou a aprender muitas coisas, estou a ter tantas vivências, estou sempre a viajar e a conhecer pessoas do mundo inteiro.” Por outro lado, Diana assume “Diana Gomes, Budapeste 2005 - Medalha de Ouro no Europeu de Junioresa minha família também está na natação.”

                                      

Diana começou na natação como qualquer criança, “os meus pais puseram-me na piscina porque achavam um desporto saudável e eu acho que fizeram bem”, diz, rindo-se. Contudo, “a professora atirou-me para dentro da piscina na primeira aula. Fiquei traumatizada e, no princípio, ganhei medo à água.”

 

Como em qualquer história de heróis que se preze, também Diana teve os seus desafios. Quando tinha nove anos, viu-se obrigada a “exilar-se” com a família na Covilhã. Filha de pais professores, a atleta de Cascais mudou-se para a Beira Interior. Lá, “nadava esporadicamente com o triatleta, também olímpico, Bruno Pais”. Contudo, aos 12 anos, regressa à Linha e inicia as competições pelo clube de natação Associação dos Bombeiros Voluntários dos Estoris (ABVE). É aqui que começam as vitórias e recorda: “isto aconteceu numa competição que ganhei, quando subi ao primeiro lugar do pódio. Era praticamente desconhecida. Foi antes dos Jogos de Atenas. A nadadora que ficou em segundo lugar virou-se para mim e perguntou-me ‘Quem é que tu és?’”.Meeting de Paris - Fotografia de Rita Taborda 

 

Diana passou a figurar em jornais e revistas. Começou a crescer e iniciou-se uma odisseia de recordes, vitórias, medalhas e títulos. Diana Gomes, agora, já não era desconhecida. O estigma do “não pode falhar começou”. Contudo, a atleta é peremptória e admite vezes sem conta “não tenho de provar nada a ninguém.”

               

Quando à alimentação, Diana revela que “apesar de adorar chocolate, mantém uma alimentação equilibrada e tenta cortar nos doces”.

     

Ainda assim, Diana Gomes já teve os seus sustos. “A lesão que tive no ombro em Janeiro foi muito dura. Uma lesão pode impedir-nos de muita coisa. Não tinha nada onde me agarrar. A natação estava pendurada, a faculdade de lado.” Diana agarrou-se à recuperação e conseguiu aquilo que mais queria: apurar-se para Pequim. “Hoje, sei que, apesar de tudo, nunca fiz a travessia do deserto”, como muitos a acusaram. 

     

Rituais? Superstições? “Costumo nadar em seco”, dispara, exemplificando com gestos e descrevendo com palavras. “Faço braçadas fora de água, para me concentrar e focar nos segundos antes de saltar para dentro da piscina”.  

    

Diana nunca se cansou de “contar azulejos”, “forma carinhosa com que nós nadadores descrevemos o treino”. A atleta de Cascais confessa “passo não sei quantas horas por dia dentro da piscina, mas não consigo cansar-me de nadar. Tal como gostamos das pessoas e não sabemos explicar porquê, eu também não sei explicar bem por que gosto tanto de nadar”. 

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